O recorde impossível: Quem foi o jogador que fez 13 gols em uma única Copa do Mundo?

O recorde impossível: Quem foi o jogador que fez 13 gols em uma única Copa do Mundo?

Quanto tempo é necessário para entrar na história? Alguns demoram dias, meses, enquanto outros esperam por anos. Just Fontaine precisou de apenas 20 dias e um par de chuteiras emprestado. Entre 8 e 28 de junho de 1958, o atacante francês balançou as redes 13 vezes em apenas seis jogos, chocando o mundo e estabelecendo o recorde mais intocável das Copas do Mundo até hoje.

Este é o primeiro de uma série de 30 textos sobre curiosidades da Copa do Mundo que o Quem Transmite publica a partir de hoje. Serão 30 dias de histórias marcantes, uma por dia, até a véspera da abertura do Mundial deste ano, preparando você para o maior espetáculo da Terra.

Quem foi Just Fontaine?

Nascido em Marrakech, no Marrocos (na época sob protetorado francês), Fontaine era o retrato da eficiência. Antes de se tornar o terror das defesas na Suécia, ele já empilhava gols pelo OGC Nice e, principalmente, pelo Stade de Reims, onde substituiu a lenda Raymond Kopa, que havia se transferido para o Real Madrid.

O recorde impossível: Quem foi o jogador que fez 13 gols em uma única Copa do Mundo?
Just Fontaine em ação durante a Copa do Mundo de 1958 na Suécia. (Crédito: Foto: Autor desconhecido / Domínio Público via Wikimedia Commons)

Fontaine não era apenas um finalizador; era um atacante versátil. Tinha o raro domínio das duas pernas e um senso de posicionamento que o colocava sempre no lugar certo. Mas sua carreira foi um meteoro: uma fratura dupla na perna o forçou a se aposentar com apenas 28 anos. Em apenas 21 jogos pela Seleção Francesa, ele marcou 30 gols — uma média absurda de 1,43 gols por partida.

O “Acidente” e as Chuteiras de Stéphane Bruey

A história de Fontaine em 1958 começa com um golpe de sorte para a França e de azar para René Bliard, o titular absoluto que se lesionou às vésperas do torneio. Fontaine, o reserva, foi alçado ao time principal.

O problema? Fontaine viajou com apenas dois pares de chuteiras, e ambas arrebentaram nos treinos em solo sueco. Sem patrocínios ou estoques de reserva, ele teve que recorrer ao companheiro de banco, Stéphane Bruey, que calçava o mesmo número e lhe emprestou o calçado. Foi com essas chuteiras “alheias” que ele entrou para a eternidade.

O Raio-X dos 13 Gols

Diferente dos artilheiros modernos, Fontaine não guardou seus gols apenas para as fases iniciais. Ele puniu todos os adversários que cruzaram seu caminho:

  • Fase de Grupos: Começou com um hat-trick contra o Paraguai, fez dois na Iugoslávia e um na Escócia.

  • Mata-mata: Marcou dois contra a Irlanda do Norte nas quartas e o único gol francês na semifinal contra o Brasil de Pelé.

  • O Grand Finale: Na disputa do terceiro lugar, ele castigou a Alemanha Ocidental com impressionantes quatro gols na vitória por 6 a 3.

Dos 13 gols, 7 foram de perna direita, 5 de esquerda e um de cabeça. Uma exibição completa de repertório técnico.

Recorde ameaçado?

O recorde de Fontaine completa quase sete décadas sem ser ameaçado. No entanto, o cenário está mudando. Com a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções e o aumento no número de partidas, o caminho para os 13 gols pode se tornar menos íngreme para os novos artilheiros. Será que o trono de ‘Justo’ finalmente será ocupado nas próximas edições, ou sua média surreal de 2,16 gols por jogo o manterá isolado no topo para sempre?

Assista todos os gols de Fontaine na Copa do Mundo de 1958

Fique de olho!

Amanhã, no Quem Transmite: A história de como um lance confuso em 1966 mudou as regras do futebol e deu origem aos cartões amarelo e vermelho na Copa do Mundo. Não perca!

Siga o Quem Transmite no Instagram!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *